“Streaming não paga artista”: Tracy Chapman dispara contra a indústria e só consome música em CD e vinil
- Marcello Almeida
- há 1 dia
- 2 min de leitura
“Eu só compro música em formato físico"

A cantora e compositora Tracy Chapman voltou a dar as caras na mídia com uma rara e poderosa entrevista ao New York Times, em que criticou abertamente o modelo atual da indústria da música e revelou que se recusa a ouvir faixas por streaming.
“Eu ainda ouço música. Não ouço tanto quanto antes, e talvez eu vá me namorar agora, ou alguém vai me chamar de ludita, mas eu não ouço música em streaming”, disse a artista, de 61 anos.
Chapman foi além e explicou a decisão: “Eu só compro música em formato físico. Os artistas são pagos quando você realmente compra um CD ou vinil. Isso é importante para mim.”
Ela ainda reconheceu que essa escolha impacta o próprio consumo: “Isso limita o que eu ouço, porque é um compromisso físico de sair pelo mundo e encontrar coisas, mas eu ainda saio.”
A fala chega em um momento em que a discussão sobre pagamentos justos aos músicos tem ganhado força — principalmente com as recentes denúncias de pagamentos ínfimos por stream nas plataformas digitais.
Tracy também falou sobre sua emocionante apresentação no Grammy 2024, quando subiu ao palco pela primeira vez em nove anos para cantar “Fast Car” ao lado de Luke Combs: “Foi muito incrível, para todas as jovens mulheres em toda a sua variedade, fazendo suas coisas.”
Ao ser questionada se se referia a artistas como Chappell Roan, ela respondeu: “Sim, e Charli XCX. Não é uma música que eu faria, mas eu aprecio que estamos neste momento em que há um caminho para artistas como esse, e eles podem até ter sucesso.”
Após a performance com Combs, a versão original de “Fast Car” teve um aumento de 241% nas reproduções diárias. O álbum de estreia da cantora, de 1988, saltou de 248 mil para 949 mil streams diários.
Chapman não lança um disco desde Our Bright Future, de 2008. Desde então, raramente aparece em público — o que torna suas palavras ainda mais significativas num mercado que continua se transformando.
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