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Segunda temporada de Ruptura fez do Sci-fi e da distopia uma verdadeira aula para a realidade

Foto do escritor: Eduardo SalvalaioEduardo Salvalaio

Atualizado: há 3 dias

 Depois de 3 anos, a demora foi compensada com uma temporada mais caprichada e pelo roteiro elaborado

2ª temporada de Ruptura
Créditos: Apple TV+ / Divulgação

Considerações sobre a segunda temporada de Ruptura (Severance). Atenção, contém alguns SPOILERS. Para ler a resenha da primeira temporada, clique aqui.

 

Ruptura chegou com alguns atrativos. Uma história um tanto quanto original ao citar uma empresa que separa as memórias de seus funcionários em relação ao trabalho e a vivência externa. Personagens que ficaram divididos, por assim dizer, entre seu eu interno e o eu externo.

 

Outra curiosidade: Ben Stiller é um dos produtores da série. Será que um ator e produtor exclusivamente ligado à Comédia conseguiria desenvoltura no gênero Sci-Fi, sobretudo dentro de uma trama proclamada distópica? Stiller foi genial e, depois de Ruptura, é praticamente certo afirmar que ele tem passe livre para outras produções de mesmo nível no futuro.

 



Com um visual atraente, equilibrando retrô, sofisticação, minimalismo e frieza, a série conseguiu até mesmo nos deixar abstratos acerca de qual época ela se passa (isso nem acabou importando, no final das contas).

 

Outro charme se deve a abertura da série ser feita numa belíssima (e bem sintetizada) animação. O poder artístico que ela carrega é tanto que nos faz nunca pular a abertura, pelo contrário, sempre procuramos por detalhes que podem, talvez, entregar mais pistas sobre a trama. 


Apple TV+ / Divulgação
Apple TV+ / Divulgação

Os minutos iniciais do primeiro episódio da nova temporada construíram uma das melhores cenas feitas em séries nos últimos anos. Mark (Adam Scott) corre pelos inúmeros corredores brancos da Lumon num jogo de câmera fantástico e vertiginoso onde o espectador entra em sintonia com o desespero e a claustrofobia do personagem.

 

Entretanto, a segunda temporada reforçou que a série não sobrevivia apenas do panorama Sci-fi no qual estava inserida. Muitas temáticas nos levaram a questionar sobre a realidade. Relações e regras no trabalho, convivência familiar, a ciência que pode controlar e manipular a mente humana, a importância da memória.

 

Mais do que saber quais as verdadeiras intenções da Lumon ou do que se tratava o projeto Cold Harbor, era necessário sincronizar temáticas dentro de cada episódio, deixar esse universo mesclado de Sci-fi, distopia e drama psicológico mais atraente ao encaixá-lo e escancará-lo em nossa vivência diária. Fazer o espectador parar e dizer consigo mesmo: ‘sim, já aconteceu isso em meu trabalho’.

 


Em sua segunda temporada, Ruptura foi muito além dos corredores labirínticos da Lumon. No quarto episódio intitulado ‘Vale da Aflição’, um dos melhores da temporada, chegou a contemplar Mark e seus colegas de trabalho fazendo uma (espécie de) retiro espiritual.


O episódio em si reserva um lugar exótico coberto de neve em meio a cachoeiras, um Milchik (Tramell Tillman) animado em contar histórias mirabolantes sobre Kier Eagan (fundador da Lumon). Um episódio estranho e diferente, porém ainda necessário dentro da proposta da série e dos inúmeros enigmas que ela esconde.

 

Harmony Cobel (Patricia Arquette) tem seu passado contado, embora de forma bem enigmático, num episódio melancólico onde surgem pistas de como o poderio de Eagan e a Lumon começaram a tomar forma.

 

Uma série só pode ser completa se traz personagens em evolução. Não apenas Mark, aqui os coadjuvantes ganharam um destaque maior, difícil não se emocionar diante da narrativa que fez questão de, sobretudo, abordar mais a vida de Irving (John Turturro) e Dylan George (Zach Cherry), tanto dentro como fora da Lumon. 


Apple TV+ / Divulgação
Apple TV+ / Divulgação

A pequena estreante Miss Huang (Sarah Huang), outra surpresa da temporada, mesmo com a pressão do Senhor Milchick, precisou segurar o ritmo da empresa. Uma das cenas mais marcantes é quando ela se vê obrigada a destruir seu brinquedo favorito (lembrei do clássico Aquaplay) por ordem da própria empresa.

 

O décimo e último episódio, com seus 75 minutos, nos deixa com muitas perguntas e mistérios sobre a série. Nada está finalizado e sabemos que ainda há muito por desenvolver em relação a Lumon e aos personagens. Um episódio que foi um soco no estômago.

 

Numa das cenas mais emblemáticas e memoráveis deste episódio envolvendo Mark e Helena (Britt Lower), o espectador é contagiado pela belíssima canção ‘The Windmills Of Your Mind’ de Noel Harrison e pelo choque que acabou de presenciar. Fazia jus a um início tão bonito e de cortar o coração quando temos o diálogo entre os dois Marks (interno e externo).


Tivemos violência (não gratuita), reviravoltas, alianças e até uma banda de músicos com direito a coreografia por parte de outro setor da empresa, até então desconhecido do espectador, a ‘Coreografia e Alegria’ (com Milchik mandando bem na dança).  

 

Depois de 3 anos, a demora foi compensada com uma temporada mais caprichada e pelo roteiro elaborado. Agora basta aguardar pela terceira temporada, já com data confirmada pela Apple TV+. O quê podemos esperar? Novamente teremos um primor de direção, arte, roteiro e interpretações? Mais respostas? Mais segredos? Ficamos na torcida.

 

 

Ruptura

(Severance 2ª Temporada)


Ano: 2025

Gênero: Drama, Ficção Científica, Mistério

Direção: Ben Stiller, Samuel Donovan

Roteiro: Dan Erickson (V)

Elenco: Adam Scott, Britt Lower, Tramell Tillman, Patricia Arquette, John Turturro, Zach Cherry, Sarah Huang

País: Estados Unidos

Duração: 497 min

 

Trailer:


  

Nota: 9,0

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