Seu estilo era direto, sem firulas, mas carregava uma força e uma musicalidade fora do comum
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O mundo da música perdeu um de seus ícones: Rick Buckler, o lendário baterista do The Jam, faleceu em 17 de fevereiro de 2025, aos 69 anos, após uma breve enfermidade. Nascido em Woking, Inglaterra, em 6 de dezembro de 1955, Buckler foi peça fundamental na formação e no sucesso do The Jam, banda que definiu uma era e influenciou gerações.
Formado em 1972, o The Jam rapidamente se destacou na cena musical britânica, mesclando o vigor do punk rock com a sofisticação do mod revival. Com Paul Weller nos vocais e guitarra, Bruce Foxton no baixo e Buckler na bateria, o trio conquistou as paradas com sucessos como “Going Underground”, “Town Called Malice” e “The Eton Rifles”. A precisão rítmica de Buckler e seu estilo enérgico foram cruciais para o som distinto da banda.
Após a dissolução do The Jam em 1982, Buckler continuou sua jornada musical com projetos como Time UK e From the Jam, este último reunindo-o novamente com Foxton para celebrar o legado da banda original. Além da música, Rick dedicou-se à marcenaria e ao design de móveis, mostrando sua versatilidade artística. Ele também compartilhou suas memórias em livros, incluindo “That’s Entertainment: My Life in the Jam”, oferecendo aos fãs uma visão íntima de sua trajetória.
A notícia de sua morte pegou muitos de surpresa. Paul Weller expressou sua tristeza, relembrando os primeiros ensaios no quarto de sua casa em Woking e a incrível jornada que compartilharam. Bruce Foxton também manifestou seu pesar, destacando a amizade e a parceria musical que tiveram ao longo dos anos.
A batida imortal do The Jam
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Buckler foi essencial para o The Jam porque sua bateria dava à banda um pulso rígido, energético e preciso, criando a base perfeita para a fusão entre o punk e o mod revival que definiu o som do trio. Diferente de muitos bateristas punk que apostavam em um estilo caótico e veloz, Buckler tocava com extrema clareza e controle, algo que se alinhava perfeitamente à visão de Paul Weller.
Seu estilo era direto, sem firulas, mas carregava uma força e uma musicalidade que o diferenciavam. Ele sabia exatamente quando ser agressivo, como em The Eton Rifles, e quando dar espaço para as melodias e letras brilhantes de Weller, como em That’s Entertainment. Sua pegada era seca e marcial, o que reforçava a identidade britânica da banda, aproximando-os do som da era mod dos anos 60, mas com a intensidade e urgência do punk.
Além disso, Buckler foi uma parte fundamental da identidade visual do The Jam. Sempre vestido com ternos alinhados e um corte de cabelo impecável, ele ajudava a solidificar a estética mod da banda, algo que ia além da música e se tornava uma declaração cultural.
Mesmo depois do fim da banda em 1982, seu impacto no som do The Jam permaneceu. Muitos grupos influenciados por eles – de Oasis a Blur – beberam da fonte que Buckler ajudou a criar. Sem ele, o The Jam teria sido uma banda completamente diferente.
Rick Buckler deixa sua esposa, Lesley, e dois filhos, Jason e Holly. Seu legado permanece vivo não apenas nas gravações atemporais do The Jam, mas no universo da música como um todo.
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