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Feminicídio no cinema e nas séries: quando a ficção expõe uma realidade brutal

Quando o cinema e as séries abordam esse tema, não estão apenas contando histórias chocantes; estão colocando um espelho diante da sociedade

“Promising Young Woman” (2020)
Imagem: Reprodução

A arte imita a vida – e, às vezes, expõe suas feridas mais profundas. No cinema e nas séries, o feminicídio tem sido retratado de diferentes formas, ora como denúncia, ora como crítica social, mas sempre como um reflexo de um problema que persiste fora das telas. Em um mundo onde mulheres são mortas apenas por serem mulheres, a cultura pop se torna um espelho, um alerta e, muitas vezes, um pedido de justiça.


Seja em tramas baseadas em fatos reais ou em histórias que usam a ficção para provocar reflexões, o feminicídio tem sido tema de produções que escancaram a violência de gênero. Aqui, revisitamos alguns filmes e séries que transformaram essa tragédia cotidiana em narrativa – para que a dor de tantas vítimas não seja esquecida.



O feminicídio como denúncia


“Um Crime Americano” (An American Crime, 2007)

“Um Crime Americano” (An American Crime, 2008)
Imagem: Reprodução

Baseado em uma história real, o filme retrata o caso de Sylvia Likens, adolescente de 16 anos brutalmente torturada e assassinada por Gertrude Baniszewski e outras crianças da vizinhança em 1965. Deixada aos cuidados da mulher enquanto os pais viajavam, Sylvia foi vítima de um ciclo de abusos extremos que durou meses – e que só terminou com sua morte.


A história escancara como a violência contra meninas e mulheres pode acontecer dentro de casa, com a conivência de quem escolhe não enxergar. O feminicídio também se constrói no silêncio.


Onde ver: Prime Video



“Dormindo com o Inimigo” (Sleeping with the Enemy, 1991)

“Dormindo com o Inimigo” (Sleeping with the Enemy, 1991)      Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Julia Roberts interpreta uma mulher que vive um relacionamento abusivo e, ao tentar escapar do marido controlador, se vê em uma batalha por sua vida. O filme, lançado nos anos 90, ajudou a expor o ciclo da violência doméstica e a dificuldade das vítimas em se livrar de seus agressores. Infelizmente, décadas depois, a trama continua atual.


Onde ver: Disney +




“Big Little Lies” (2017)

“Big Little Lies” (2017)
Imagem: HBO

A série estrelada por Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley não apenas retrata o feminicídio como mostra a violência doméstica em suas camadas mais sutis. A personagem de Nicole Kidman sofre abusos físicos e psicológicos do marido, interpretado por Alexander Skarsgård. A trama expõe como a violência contra a mulher pode estar disfarçada sob a aparência de um casamento perfeito – até que a tragédia se concretiza.


Onde ver: Max




O feminicídio como crítica social


“Promising Young Woman” (2020)

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Aclamado pela crítica, o filme dirigido por Emerald Fennell escancara a cultura do estupro e a impunidade masculina. A protagonista, interpretada por Carey Mulligan, busca vingança contra homens que abusam de mulheres, especialmente aqueles que se aproveitam da fragilidade alheia. O desfecho da trama é um golpe duro no espectador: a violência contra a mulher é tão sistemática que, mesmo quando elas tentam resistir, ainda correm o risco de serem silenciadas da pior forma possível.


Onde ver: aluguel no YouTube





“O Homem Invisível” (The Invisible Man, 2020)

“O Homem Invisível” (The Invisible Man, 2020)
Imagem: Reprodução

Embora apresente elementos de terror e ficção científica, O Homem Invisível é uma metáfora sobre a violência doméstica e o feminicídio. Elizabeth Moss vive uma mulher que tenta escapar de um relacionamento abusivo, mas descobre que seu agressor – um homem poderoso e manipulador – continua a assombrá-la mesmo após sua suposta morte.


O filme expõe o medo constante vivido por muitas mulheres que tentam fugir de seus agressores, mas não conseguem se livrar do controle que eles exercem sobre suas vidas.


Onde ver: Aluguel no YouTube




“The Handmaid’s Tale” (2017 – presente)

“The Handmaid’s Tale” (2017 – presente)
Imagem: Reprodução

A série baseada no livro de Margaret Atwood é uma distopia, mas suas raízes estão fincadas na realidade. Em Gilead, mulheres são tratadas como propriedades do Estado, sendo submetidas a abusos, estupros e execuções brutais. O feminicídio, na série, não é apenas um ato isolado – é institucionalizado.


E, ao assistir, não é difícil perceber os paralelos com o mundo real.


Onde ver: Paramount +, GloboPlay









A realidade por trás da ficção


O feminicídio é um problema global. No Brasil, uma mulher é assassinada a cada seis horas apenas pelo fato de ser mulher. Em muitos casos, os crimes são cometidos por parceiros ou ex-parceiros que não aceitam o fim de um relacionamento – um enredo que, infelizmente, se repete dentro e fora das telas.


Quando o cinema e as séries abordam esse tema, não estão apenas contando histórias chocantes; estão colocando um espelho diante da sociedade. São alertas, denúncias e pedidos de mudança. Porque, enquanto houver mulheres morrendo apenas por serem mulheres, essas histórias precisam ser contadas.


A cultura pop tem esse papel. E cabe a nós, espectadores, não ignorarmos as mensagens que ela transmite.

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