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Black Sabbath: O disco que inaugurou o heavy metal completa 55 anos

Foto do escritor: Marcello AlmeidaMarcello Almeida

55 anos depois, sua influência segue inabalável

Black Sabbath
Imagem: Reprodução

No dia 13 de fevereiro de 1970, uma tempestade se formou sobre a indústria da música. Sob trovões e o toque sinistro de um sino, quatro jovens de Birmingham, Inglaterra, lançavam um disco que mudaria para sempre a história do rock. Black Sabbath, álbum de estreia da banda homônima, não apenas redefiniu os limites do som pesado, mas lançou as bases para um gênero inteiro: o heavy metal. Hoje, 55 anos depois, sua influência segue inabalável, reverberando por gerações de músicos e fãs.


Uma estreia que parecia um filme de terror


A essência do Black Sabbath não veio do nada. O final dos anos 60 foi uma época de efervescência musical, mas também de excessos psicodélicos e utopias hippies que começavam a ruir. Enquanto o rock progressivo sofisticava sua estrutura e o hard rock ganhava potência, Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo), Bill Ward (bateria) e Ozzy Osbourne (vocais) olharam para o outro lado: queriam capturar o medo, o oculto, o sombrio.


A faixa de abertura, “Black Sabbath”, é a essência disso. Baseada no famoso trítono – a “nota do diabo” –, a música parece uma invocação. O riff pesado e arrastado de Iommi soa como uma sentença de morte, enquanto Osbourne narra a aparição de uma figura demoníaca diante dele. O impacto foi imediato: nada soava como aquilo. O rock, até então rebelde e enérgico, se tornava algo que evocava o puro terror.


Raízes operárias e a criação de um novo som


O som do Sabbath não veio apenas da criatividade dos músicos, mas também de suas origens. Birmingham era uma cidade industrial, marcada por fábricas e um cotidiano duro. Iommi, inclusive, perdeu parte das pontas dos dedos em um acidente de trabalho, o que o levou a adaptar sua forma de tocar guitarra. Ele passou a afrouxar as cordas do instrumento para facilitar os bends e, sem querer, criou um som mais pesado e grave.



Além disso, o baixo distorcido de Geezer Butler trouxe um peso incomum para a época, enquanto a bateria de Bill Ward, profundamente influenciada pelo jazz, dava à música um balanço único. E Ozzy? Seu vocal agudo e desesperado parecia anunciar o fim dos tempos.


Além da faixa-título, o disco apresenta clássicos como “The Wizard”, que surpreende com Ozzy tocando gaita, e “N.I.B.”, uma das músicas mais icônicas da banda, com seu riff grandioso e a perspectiva inusitada de um Lúcifer apaixonado. “Behind the Wall of Sleep” e “Wicked World” mostram a capacidade da banda de misturar blues pesado com uma aura maligna, enquanto “Sleeping Village” e “Warning” exploram longos solos de Iommi, pavimentando o caminho para o que seria o heavy metal nos anos seguintes.


O impacto foi imediato. Lançado pela Vertigo Records, Black Sabbath alcançou o Top 10 no Reino Unido e chamou atenção nos Estados Unidos, onde chegou ao 23º lugar na Billboard. Mas mais do que números, o disco criou um movimento. O rock nunca mais seria o mesmo.


O nascimento do heavy metal


Embora a origem do termo “heavy metal” seja debatida, há consenso de que o Black Sabbath foi o primeiro disco do gênero. Diferente do hard rock, que ainda mantinha raízes no blues, o som da banda era mais denso, obscuro e cadenciado. Canções sobre o sobrenatural, letras apocalípticas e uma sonoridade ameaçadora criaram um novo paradigma.


Sem esse álbum, o metal como o conhecemos talvez não existisse. Bandas como Judas Priest, Iron Maiden, Metallica e Slayer foram profundamente influenciadas por ele. E mesmo no século XXI, sua presença continua sendo sentida em bandas que exploram os subgêneros mais extremos do metal.


55 anos depois: por que Black Sabbath ainda importa?


O tempo não diluiu o impacto do Black Sabbath. Pelo contrário, ele se tornou ainda mais relevante. Enquanto o rock dos anos 70 flertava com a grandiosidade e o virtuosismo, o Sabbath trouxe algo mais primal, quase ritualístico. Hoje, com o metal consolidado como um dos estilos mais expressivos do mundo, olhar para trás e ver de onde tudo começou é essencial.



Em 1970, Ozzy Osbourne perguntava: “What is this that stands before me?”. Hoje, a resposta é clara: era o nascimento do heavy metal. E 55 anos depois, Black Sabbath segue como um monumento sonoro, eterno e indestrutível.

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